O poder do esporte na infância: como o incentivo dos pais faz toda a diferença 

Por trás de todo atleta mirim existe alguém que acreditou primeiro. Na maioria das vezes, são os pais — aqueles que acordam cedo para levar aos treinos, acompanham cada conquista (e cada tombo), e ensinam que o mais importante no esporte infantil não é vencer, mas aprender.  O incentivo ao esporte desde cedo tem impactos profundos no desenvolvimento emocional, físico e social das crianças. E quando esse apoio vem dos pais, de forma equilibrada e saudável, ele não apenas motiva, mas forma o caráter. A cobrança, quando feita com amor e propósito, se transforma em valores como responsabilidade, resiliência e empatia.  Neste post, conversamos com a mãe da Isabela Pizzi Licnerski, uma jovem atleta de hipismo infantil patrocinada pela Ixer. Com quase 12 anos e quatro dedicados ao esporte, Isa é um exemplo de como o esporte na infância pode moldar atitudes, comportamentos e até decisões de vida. A seguir, você acompanha a entrevista completa e se inspira com essa história cheia de paixão, disciplina e amor pelos cavalos.  Como é que foi o começo da Isa no hipismo? Com quantos anos ela entrou? Como é que ela se interessou? Foi vocês que se interessaram por ela e colocaram ou foi dela que veio o interesse?  A Isabela sempre gostou de cavalo, desde muito pequenininha, desde os dois, três anos, a Isabela adorava cavalo. Eu nunca gostei de cavalo, o pai dela também não. Mas quando ela tinha uns dois, três aninhos, meu irmão a levou para andar de cavalo. E, a partir daquele momento, ela se apaixonou pelo bicho. Toda vez que a gente perguntava para ela: “Iza, o que você quer ganhar de presente?”, ela dizia: “Ah, mamãe, eu quero um cavalo”. E como eu morava em São Paulo, ela sempre queria um cavalo. Há quatro anos, mudei para o interior de São Paulo, para São Carlos, e a principal condição de eu mudar para cidade era que ela pudesse fazer hipismo. E aí ela se apaixonou. Desde então, todo dia ela quer ir para a hípica, quer andar a cavalo.  Ela começou então com quantos anos?  Oito anos.  E você lembra como foi a primeira aula dela?  Ah, apaixonante, né? Ela não queria mais sair de cima do cavalo. Ela começou mesmo como hobby, para ela era pura diversão. Ela começou o hipismo para andar a cavalo, que era a única oportunidade que ela tinha de fazer isso.  Então sempre foi mais amor pelo bicho do que pelo esporte em si, certo? E quando é que você percebeu que não era só um hobby, que ela queria fazer isso de verdade?  Quando me mudei para São Carlos, ela fazia balé, dança… E aí veio o hipismo. Continuou no balé por um ano, mas ela amava o hipismo. Parou o balé para se dedicar totalmente. Ela falou: “Mamãe, é isso que eu quero para minha vida. Eu vou ficar velha fazendo hipismo, é isso que eu quero para mim.”  E como é a rotina de treino dela hoje? Ela treina todos os dias? Quantas horas por dia?  Treina duas vezes por semana. Uma hora por treino. Quando tem uma oportunidade, ela pede para ir lá ajudar o professor para ter mais contato com os cavalos.  E no que ela ajuda exatamente?  A banhar os cavalos, a limpar a cocheira, ajudar o professor quando ele está dando aula para as outras crianças, subir e descer obstáculos… E ela também observa os toques que ele dá para as crianças e vai pegando as dicas. Ela queria ir todos os dias. Eu que não consigo levar.  Ela aproveita o momento, então, para estar mais perto, tanto do professor quanto dos animais.  Sim, agora que está um pouco maior, presta bem atenção nas dicas que o professor dá para outras crianças e para os adultos também que fazem hipismo.  E como você concilia escola, treino, vida…?  Bem complicado. Mas como é a paixão da filha da gente, a gente se desdobra, né? Eu monto toda a minha agenda de trabalho baseado nos treinos dela. Quando tem competição, que ela precisa de aulas extras, faço reunião do carro, da hípica, com filtro, no meio da reunião, pra ninguém perceber onde estou. É bem corrido. Na escola, por exemplo, se não tirar nota boa, não vai para o treino. É uma forma de incentivá-la a estudar. E o professor também pega pesado: não tirou nota boa, não comeu direito, não respeitou, não vai treinar, não vai para a prova. Isso é muito legal da parte dele, com todas as crianças da Hípica.  Você já o viu cortando treino de criança que não tirou nota?  Já! Ele pergunta: “Você está bem na escola? Comeu direito?” Se não, ele corta o treino. É bem legal essa relação. Ele é bem rígido, e eu acho que isso é ótimo para essa geração.  E o cavalo da Isa? Ela treina com o mesmo cavalo sempre? Ela já tem o dela?  Ainda não tem cavalo próprio. Treina com os cavalos da Hípica. Cada treino é com um diferente. Como está indo para competições, costuma treinar com o mesmo, mas o professor a coloca em vários para aprender a lidar com diferentes tipos de cavalo — cavalo quente, frio, com passada longa, curta… Como eu assisto, já tenho um pouco de noção. Mas tem toda uma técnica. É bem legal porque ela está aprendendo todas essas variações.  E como ela lida com a pressão das competições? Já compete há muito tempo?  Compete há dois anos. O que eu falo para ela é: você tem que ter responsabilidade com o treino, mas não precisa pegar pesado com a pressão. Ganhar é bom, mas perder também é importante. Eles precisam se frustrarem. Aprender a lidar com a derrota, com a vitória dos amigos. Um dia a gente está em cima, outro dia embaixo. É importante aprender isso desde cedo.  Teve algum momento marcante que te emocionou muito?  Ah, todos! Cada prova é um mini infarto para mim. Hoje ela salta 80